The National Anthem é a representação sintetizada da já citada pressão que o Radiohead vinha sofrendo, por um trabalho novo e extraordinário. Aliás, ela poderia muito bem se chamar “o desejo nacional”, o que todos esperam. Enquanto Colin Greenwood e Phil Selway detonam no baixo e na bateria respectivamente, “ruídos”, efeitos sonoros, e um Thom Yorke meio entorpecido cantando e, em alguns momentos, cantarolando um nanana nananana, ao melhor estilo “não to nem aí”, a imagem radioheadiana da cobrança da mídia nos é mostrada em versos:
Everyone
Everyone around here
Everyone is so near
It’s holding on
It’s holding on
Todos sempre na espreita, ansiosos, colados uns aos outros, apenas esperando algo como Ok Computer. Uma marca impossível de não ser notada na musica, é influencia jazzística que a acompanha. Saxofones e trompetes tocam de forma frenética e caótica, criando a imagem de um barulho insuportável. Esses dois instrumentos, juntos com as batidas eletrônicas que cercam o hino, vão crescendo, crescendo e crescendo, até alcançar um clímax tão intenso e infernal, que me lembra os Dois Minutos de ódios, do livro 1984.
Foi o jeito de o Radiohead demonstrar como a voz da mídia chegava aos seus ouvidos: uma barulheira infernal.
Everyone
Everyone is so near
Everyone has got the fear
It’s holding on
It’s holding on
Espera causa ansiedade. Ansiedade pode gerar apreensão, e daí para o desespero é só mais um passo. Quanto mais o povo esperava, com mais medo ficava – observe o instrumental da musica, desse trecho em diante, caminhando para o clímax do caos —, e esse medo só fazia as cobranças aumentarem, deixando o Radiohead com o saco ainda mais cheio.
Assim a musica vai acabando, regredindo do caos ao silencio, ainda que um silêncio cheio de ruídos.
It’s holding on
It’s holding on
It’s holding on
A seguir, How To Dissapear Completely.
Muito boa interpretaçao