How To Disappear Completely

Essa é aquela que já foi considerada por Thom Yorke, a melhor música do Radiohead. E com certeza está entre as melhores mesmo. Durante a Turnê de Ok Computer, disse ele em uma entrevista, houve um momento em que olhou para tudo que estava acontecendo e teve vontade de parar, mas um ano depois, ainda estava na mesma, e não tinha mais tempo para nada. Certo dia, Michael Stipe disse a ele que, quando se sentisse triste, depressivo, por causa de tudo que estava acontecendo, apenas fechasse os olhos e repetisse “eu não estou aqui, isto não está acontecendo”.

That there

That’s not me

I go

Where I please

I walk through walls

I float down the Liffey

I’m not here

This isn’t happening

Uma crise de identidade tomou o Radiohead. Pode parecer apenas estratégia de marketing, uma banda dizer que não espera um sucesso tão estrondoso quanto o que eles alcançaram, mas aqueles que assistiram o documentário Meeting People is Easy, costumam dizer que o sentimento do Radiohead, nesse sentido era verdadeiro. Imagino que eles queriam sucesso sim, mas não dá forma espantosa como veio recheado de cobranças e mais aquilo tudo que já citei.

Nos primeiro versos da música, temos uma visão daquilo que o Radiohead vê nele mesmo, e que viria ser a sua marca registrada: uma banda que faz o que quer. Mas quando esse mesmo Radiohead olha em volta, e vê tudo o que está acontecendo ele não se reconhece, e deseja que tudo logo termine.

I’m not here

I’m not here

In a little while

I’ll be gone

The moment’s already passed

Yeah, it’s gone

I’m not here

I’m not here

O problema é que a situação parece não ter fim. Por mais que eles desejem, por mais que supliquem pra que tudo acabe nada muda. E se antes, eles apenas desejavam o fim, agora a crise existencial é tão grande que eles não querem mais acreditar no que acontece. Luzes sobre eles, auto-falantes gritando seus nomes, comemorações, a fama os envolve, e em meio a fama o verdadeiro Radiohead, aquele que faz o que deseja, que queria sucesso sim, mas moderado, aquele que não quer se render a mídia, começa a sumir, desaparecer em meio ao caos. Entre gemidos e gritos de desespero, a voz de som vai sumindo, morrendo, como se na solidão e no silencio encontrasse alivio.

Strobe lights

And blown speakers

Fireworks

And hurricanes

I’m not here

This isn’t happening

I’m not here

I’m not here

A seguir, Treefingers.

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