KID A

Na segunda faixa do álbum, a característica eletrônica, que viria a fazer parte integral do novo som radioheadiano, começa a ficar explicito. Ruídos, batidas psicodélica e a bateria elétrica, se juntam a uma melodia lúdica, resultando na canção de ninar mais sombria já feita. Há também a voz robotizada de Thom Yorke, cantando de forma suave, e deixando a musica ainda mais sombria.

Quanto à letra, temos uma bela apologia ao Flautista de Hamelin, um dos meus contos prediletos, e uma visão do nascimento de Kid A, que seria a idéia abstrata e bicolor, de Everything in its right place.

I slip away

I slipped on a little white lie

Ponto básico. Aqui é o próprio Kid A que está cantando, e ele nos fala como surgiu na mente dos Radioheaders. Em meio ao caos que a banda vivia, depois da crise pós-ok computer, ele veio deslizando, até surgir na mente da banda, difuso e abstrato. Como uma idéia, que pouco a pouco foi tomando forma.

We’ve got heads on sticks

You’ve got ventriloquists

We’ve got heads on sticks

You’ve got ventriloquists

Se você conhece a historia do Flautista de Hamelin, vai conseguir associar bem a musica com à historia, senão aqui vai um trecho dela, extraída do Wikipédia. XD

Em 1284, a cidade de Hamelin estava sofrendo com uma infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um “caçador de ratos” dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser. Apesar de obter sucesso, o povo da cidade abjurou a promessa feita recusado-se a pagar o “caçador de ratos”, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças.

Em contexto com o álbum, o Radiohead está dizendo algo como “eu tenho aqui a inovação, que vocês, críticos/imprensa/mídia tanto queriam, mas vocês só possuem marionetes, que controlam da forma que querem. Não sei se me recompensaram, com o brilho que me deram um dia, nos tempos de Ok Computer, mesmo assim, eu trago a prova que vocês queriam, de que podia me superar”.

Assustados com o fato, é como se aqueles que os pressionaram, se reunissem para observar o nascimento desse novo Radiohead. O nascimento de Kid A.

Standing in the shadows at the end of my bed

Standing in the shadows at the end of my bed

Standing in the shadows at the end of my bed

Standing in the shadows at the end of my bed

Retomando ao Flautista de Hamelin…:

O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, aonde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram seus opulentos habitantes e seus repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por suas sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.

Uma coisa é certa. O Radiohead sabia que não agradaria, e esperava por isso. Fazendo uma referencia, mais uma vez, ao conto, ele diz que somente ratos e crianças, aqueles que não os pressionaram tanto, de alguma forma seriam atraídos pela nova sonoridade da banda. Os demais, ficariam decepcionados. Putos da vida.

The rats and children follow me out of town

The rats and children follow me out of their homes

Come on Kids

A seguir, The National Anthem.

Uma resposta para KID A

  1. Ruth disse:

    Ameeei!!!
    É deste msm jeitinho que capto a ideia da letra, perfeito!!!!!

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